Artigos alheios

POLÍTICOS

Não é preciso escrever coisa alguma para introduzir, menos ainda para concluir:

 

ÉTICA

– “Em respeito ao falecido, não faremos política nesses dias”, disse o político fazendo política.

FERNANDO VASQS

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Quiser conhecer mais desse amigo cronista e ilustrador, veja o Blog dele.  O nome já vale a pena: Ostras ao Vento.

Brasileiro Honesto Comentando Sobre o Brasil e a Cartilha da Fifa

Competência e conhecimento de causa demonstra meu amigo Caiubista Léo Nogueira ao Responder/Comentar os absurdos que a Fifa imprimiu e impingiu ao/sobre o nosso  País.  No colégio, ou até mesmo no ginásio,  em livro didático, lembro-me bem  de um comentário sobre os estudantes que, ao misturarem resumo de obra literária  com redação própria, empobreciam o estilo e prejudicavam a compreensão.

Já estou grandinho, digo, faz tempo que terminei ginásio, colégio e até mesmo a faculdade para cair nessa armadilha – a saber:  cozinhar (na gíria jornalística) texto de bom autor.  Assim, restrinjo-me a colocar  Link para o Artigo do Léo em que ele  comenta a famigerada cartilha;  pondo   pingos nos iiiisss de uma séria de  absurdos.  Fica  estatelado o paradoxo: se é tão ruim assim, por que escolheram o Brasil???

Ou será que tiraram no Cara ou Coroa e então  vieram a conhecer o País vencedor do Cara ou Coroa???  Depois me acusam de ser irônico!!!

Clique aqui   e se delicie; de quebra, conheça uma visão honesta de um bom brasileiro honesto; honesto, em todos os sentidos, inclusive e, principalmente, intelectual!!!

Considerações sobre os Rolezinhos – Por Armando de Oliveira Neto**

Fazia tempo que o amigo Armando não proporcionava aos leitores do Boca suas ponderadas considerações.  Hoje ele aborda os Rolezinhos sob alguns aspectos.

A seguir:

Após a leitura da apresentação de suas observações no BOCA**, venho contribuir com algumas reflexões, dentro de outra visão do tema, que foca o político e o social.

Assim temos uma amostra da chamada “ditadura das minorias”.

Esse conceito está sendo divulgado recentemente, constituído pela descrição dos mecanismos pelos quais valores de minorias acabam sobrepondo aos de maiorias, como ocorre com os movimentos de “rolezinhos”, acobertadores de atos criminosos.

É um dos subprodutos da ideia do “politicamente correto”, o que paralisa nossas instituições policiais.

Assim, em seu questionamento, a aceitação do “rolezinhos” passa a ser norma e normatizada/legalizada pelas instituições, pelo ordenamento jurídico, tal como denunciado.

Um outro aspecto é a desconstrução do Estado.

Entendo que possa haver mudanças nas formulações legais, mas, pelo pouco conhecimento que tenho, em essência, a estrutura jurídica apresentada pelo Código de Hamurabi, poucas alterações podem ser observadas, em suas fundamentações, ao longo dos séculos.

Quando um indivíduo sabe que sua atuação, no caso o “rolezinho”, é uma situação marginal, consequentemente é sabedor das consequências de tal posicionamento.

Deixa-se de ser autor de sua escolha e torna-se “vítima”, em absurda inversão de papéis, ovacionado e exaltado pela mídia ignara e conivente, talvez passivamente..

Comparo com um criminoso que sabe do teor de suas atitudes e as penalidades, no caso a marginalidade social e legal do fazer “rolezinho”.

E aí chega um “novo ordenamento”: pode se tornar regra, “protegido” pela legislação, tal como proposto.

Qualquer semelhança com o que se observa no “país da impunidade” não é mera coincidência, mas sim resultado de uma orquestração muito bem elaborada nos últimos anos, com o objetivo de se instituir uma nova estrutura político-social e que tenho notado sistematicamente sua execução, sorrateira, ameaçadora e… assustadora pelas consequências funestas que trarão para nós e para as gerações que nos sucederão.

É assim que andamos rumo à desconstrução do Estado!!!

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Meu  comentário.  Se os rolezinhos não promoverem ações de vandalismos ou furtos, não há porque serem proibidos.  Folha de São Paulo de hoje traz reportagem mostrando que centenas de alunos de Economia na USP nesses útimos anos têm lotado o Shopping Eldorado para cantar, dançar e festejar. Segundo o Jornal, os jovens universitários não avisam quando farão esses rolês e nunca foram incomodados por seguranças do estabelecimento. Trecho da Folha de Hoje “Depois dos gritos – como Ei, GV (Fundação Getúlio Vargas, tida como rival da FEA), vai tomar no c…”, parte dos estudantes almoça na praça de alimentação, onde são entoados mais cânticos.  O encontro dura cerca de uma hora e meia” Quiser ler matéria da Folha, clique

* Link para o Texto  mencionado logo no início do artigo – clique

** Armando de Oliveira Neto

Médico Psiquiatra Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama

"As Pessoas Muitas Vezes não Sabem, Mas Gostam Muito de Poesia" – Por Thiago de Freitas Peixoto

Thiago Peixoto, bom poeta, experiente em declamar nos lugares mais inusitados, inclusive meios de transporte,  conta episódio interessante ocorrido nos vagões  da CPTM.

Se quiser ler, lá vai:

Voltando do cursinho hoje, encontrei meu parceiro poeta Jonas Worcman, na estação Pinheiros, da CPTM.

Assim que me viu ele já me intimou, “e ai, bora voltar fazendo poesia?”.

Eu, que não gosto quase nada da coisa, não pensei duas vezes.

Então, entramos no trem e começamos a disparar vários poemas, um atrás do outro, autorais e de outros poetas. O vagão estava cheio, mas os passageiros receberam bem a poesia, deram muita risada, aplaudiram, agradeceram, enfim, interagiram bem positivamente conosco.

Em seguida, trocamos de vagão e iniciamos um novo sarau.

Tudo corria normal até que um Guarda da CPTM entrou no vagão e encontrou com o Jonas (bem a sua frente) declamando. Sem entender o que acontecia, pediu ‘educadamente’ que calasse a boca, e permaneceu no vagão. Sob protestos dos passageiros, que estavam gostando, o Jonas encerrou a poesia, coibido pela presença do guarda a sua frente.

Por  já tinha passado por essa situação, eu  sabia como sair dela. Fingi que não tinha acontecido nada, e declamei um poema do Victor (As balas são de borracha por que a intenção é apagar palavras de revolução). Depois, na sequência, recitei ‘Os Miseráveis’, do Poeta Sérgio Vaz.

Enquanto declamava, consegui perceber o guarda prestando atenção, se desarmando, claro, mantendo a cara de mau, porém, não tentou mais impedir, só ouviu. Conseguiu respeitar, óbvio, com uma cara de interrogação (que até agora deve estar esperando resposta) e assistiu ao vagão lotado aplaudir a poesia, empolgado por ela ter se mantido de pé, mesmo quando tentaram derrubá-la.

As pessoas muitas vezes não sabem, mas gostam muito de poesia.

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Sou testemunha do sucesso das intervenções   desses poetas junto ao público em geral, desde aqueles que andam de ônibus, como os frequentadores do Parque do Ibirapuera.

Parabéns!!!

Assista a um vídeo dos Poetas Ambulantes, grupo do qual fazem parte Thiago, sua irmã Carolina, entre outros.  Clique aqui

A Tomada da "Bastilha" e as Manifestações no País. Mais um Capítulo sobre a Desconstrução do Estado – Por Armando de Oliveira Neto*

Mais uma vez,  o Amigo Armando tece bem fundamentados  comentários sobre o assunto que toma conta não só dos meios de comunicação, como de todas as conversas nas últimas semanas – Manifestações Populares invadindo Ruas e Avenidas do Brasil.

Lá vai:

Quando representantes do governo, “surpresos”, diante das recentes manifestações em São Paulo e por todo o país exclamaram que não estão entendendo o que se passa, perguntei-me: será possível tanta “inocência”? Ou simplesmente uma declaração ratificadora da alienação dos Estados Unidos de Brasília?

Para se chegar a uma  resposta,  apresento algumas reflexões:

I.    Nos primórdios de nossa civilização, constituíram-se duas classes sociais: a aristocracia (oráculos, sacerdotes, reis, imperadores, mais tarde barões, condes, conquistadores, etc.) e o campesinato. Um referencial histórico da construção de um Estado, dentro de uma concepção cultural, foi o Código de Hamurabi, que teve como objetivo estabelecer um ordenamento social. A Lei de Talião é um exemplo, com clarificação dos limites de uma Ação, suas respectivas Responsabilidades e, nos casos apropriados, as devidas Sanções e Penalizações.

II.    Os reis diziam: “EU SOU A LEI”, que na terminologia que apresento “EU SOU O ESTADO”. Criou-se, então, um fosso entre uma estrutura ESTATAL que só atendia às necessidades DAQUELE ESTADO e outra que jogava na penumbra da Lei, os miseráveis e deserdados da primeira, tendo-se na casta dos Intocáveis, na Índia, um exemplo drástico de tal posicionamento. E assim o tempo passou.

III.    Com o desenvolvimento da complexidade das relações sociais, os “Intocáveis” pelo Estado do Rei organizaram-se, culminando com a Revolução Francesa e uma nova Ordem Social, ou seja, um Novo Estado. A transição, como nos ensina a História, não foi tão suave assim, tendo dona guilhotina trabalhado bastante nesse período. Na frase atribuída a Maria Antonieta – “se o povo passa fome por não ter pão, que coma brioches” – pode-se exemplificar que até o fim não houve nenhuma reformulação por parte da elite aristocrática.

IV.    Entendo que o que acontece aqui, com certo atraso, é o mesmo processo, ou seja, nós, os Intocáveis, e intocados a não ser pelos impostos, pelo Estados Unidos de Brasília, o Estado atual, estamos nos revoltando, na procura de uma nova Organização Social/Estatal. É a busca de nova Ordem que possa atender às mínimas necessidades de um povo, Saúde, Educação, Saneamento Básico, Infraestrutura, etc..

V.    Parece-me simples “seu” governante “inocente”: queremos Estado! Mas que Estado? Não esse aí! Nosso país vem de uma longa sucessão de arremedos de Estado: o Colonial, a Monarquia, com louvor ao esboço de mudança por parte de D. Pedro II, a República, o Estado Novo, sendo lendária a posição do caudilho de bombacha (“Lei, ora a Lei…”) definindo sua posição frente aos que lhe eram contrários, a terrível e absurda Constituição de 88, quando seus oponentes já alertavam para o apontamento à ” ingovernabilidade” do país, e finalmente o governo lulapetista. Esse,  um marco, com sua Leis, Decretos, “PorCarias”, Resoluções, Medidas Provisórias, tal qual Átila, o Huno (onde seu cavalo pisava nem a grama mais nascia), a DESCONSTRUIR SISTEMATICAMENTE O ESTADO, implantando-se essa coisa que está aí, a tão falada Política de Poder do PT.

VI.    Por fim duas considerações:

1.    “Seu” governante inocente, não nos dê brioches, a anulação do aumento das passagens de ônibus. Seria uma afronta e uma ofensa a qualquer cidadão pensante tal resolução.

2.    A mais preocupante: não temos Robespierre, Danton, nem Marat! A quem poderemos recorrer? Salvo um milagre, sou cético quanto à capacidade do povo brasileiro de produzir uma nova geração de legisladores, senadores, deputados, federais, estaduais e vereadores, em prazo tão premente pela situação que vivemos na atualidade, representada pelas manifestações, pois são tantas coisas a serem feitas, tantos descalabros, desorganização organizada petreamente… Essas manifestações parecem-me que não conseguiram mobilizar o povo que simplesmente se preocupa em sobreviver, comer, trabalhar e ter a bolsa-família, bolsa-desemprego, bolsa-minha casa minha vida, bolsa-móveis, bolsa crack, bolsa presidiário, bolsa-bolsa – e todas mantidas pelo bolso do povo contribuinte. E será esse povo que decidirá nas urnas nossos próximos representantes de Estado.  Parevami, come diceva la nonna, saremo tutti fre…(traduzindo:  quer dizer que me parece, como dizia a vovó, estaremos todos fu…)

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Aí estão as considerações do Armando.  Apesar da complexidade da coisa, espero que sejam tiradas lições dos últimos acontecimentos e que Estado e Sociedade se entendam e que nós Brasileiros, povo tão bom e sofrido,  passemos a ter mais qualidade de vida,  tanto do ponto de vista material, quanto espiritual.

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* Armando de Oliveira Neto

Médico Psiquiatra Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama

Muito mais que "Poema", Imenso Problema.

Talvez por não saber usar o facebook, tenho certa implicância, mas recebi ilustração bem legal, aliás, “ilustração que muito bem ilustra” meu problema crônico de insônica que, graças a Deus, está melhorando.  Explico, quem está melhorando sou eu e não a insônica !!!

Lá vai:

Os Sentidos – Fernando Vasqs

O amigo Vasqs, bambambã dos mini-textos,  leu no último Eita Sarau. Todos gostaram muito. Quem não foi  pode ler aqui.

Lá vai, ou lá vão os Sentidos!!!

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OS SENTIDOS

Na aula sobre os sentidos o professor explicava:

– E tem o palato. O palato é o ponto sensível do gosto. É onde está o prazer da comida. O palato, crianças – sentenciou entusiasmado – é o ponto G da alimentação!

No dia seguinte foi chamado à direção.

– Que história é essa de “ponto G da alimentação”?! – ralhou o diretor.

– Didática, senhor – gaguejou o professor.  Achei que assim eles compreenderiam melhor.

– E por que acha que as nossas crianças – criancinhas , de 7 anos -, compreenderiam melhor a associação de palato, gosto, com ponto G, professor?!, perguntou o diretor subindo o tom.

– Bom, essa nova geração… parece tão inteirada nesse tipo de assunto.

– Acha que minha filha é depravada?

– Sua filha? Depravada? Nem sabia que o senhor…

– A pergunta não é minha, professor. É do pai de uma aluna, agora, por telefone!Puto da vi…, digo,  furioso!

– Bom, tem a tv, a internet…

– Acha que nossas criancinhas são indecentes, professor?! Agora a pergunta é minha. Acha que minha escola é formada de criancinhas pervertidas, degeneradas e obcecadas por sexo, professor?!

– Não, senhor, foi só uma metáfora…

– E o que acha que uma criancinha – de 7 anos, professor – entende de metáforas?!

– Bom, tem a tv, a internet…

– Professor, o senhor por acaso encontrou o ponto G?

– Eu? Sinceramente? Sim. Encontrei… encontramos. E não foi por acaso.

– No palato, professor?

– Não, claro!…

– Passe no Departamento Pessoal.

– Como?

– Está demitido!

– Mas…

O professor levantou-se, caminhou até a porta.

– Professor! – chamou o diretor novamente.

– Sim.

– Volte aqui.

– Sim, senhor.

– Sente-se.

– Sim, senhor.

– Aproxime-se.

– Pois não.

– Façamos um acordo.

– Um acordo?

– Aproxime-se.

– Mais?

– Isso. Diga-me, professor, aqui pra nós: o senhor encontrou…mesmo?

– Encontrei o quê? Ah, sim, encontrei… encontramos. E não foi por acaso…nem no palato.

– Então conte-me… conte-me tudo: onde? Diga onde, e… está admitido… de novo.

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Gostou???  Então conheça o blog  do Vasqs  Ostras ao Vento,  A mini-crônica acima é a primeira que aparece, mas navegue porque é diversão garantida, sem risco ficar mareado.

Considerações Sobre o Tema "Maioridade Penal" – Por Armando de Oliveira Neto*

Amigo Armando, psquiatra, apresenta  aos leitores do Boca  suas bem fundamentadas considerações sobre  assunto em pauta, Maioridade Penal.  A seguir:

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Recentemente, como consequência de hediondo crime de morte cometido por um jovem com alguns dias para completar dezoito anos, fomos inundados por notícias várias, sendo que uma delas chamou minha atenção: a do nosso governador  postulando aumento das penalidades aos menores infratores.

Mais uma vez nosso Poder Executivo dá uma demonstração de fragilidade conceitual, ao se esquivar de atacar o problema anterior ao de punição que, a meu entender, sustenta toda essa celeuma: o conceito de MAIORIDADE.

Suponho que os legisladores, ao definir a idade de dezoito anos para maioridade, basearam-se em simples conta matemática de somar: as crianças, naquela época, entravam na escola com sete anos, cursando o primário por quatro anos, o ginásio por mais quatro e o colegial por três, chegando, assim, ao final desse ciclo acadêmico, com os seus dezoito anos e… pronto, poderiam ser considerados “de maior”!!!

Mas outras orientações foram utilizadas para referendar a idéia de maioridade, como por exemplo, a idade de treze anos para o judeu, quando, em cerimonial, tornava-se adulto, portanto responsável. No cristianismo, sob o prisma histórico, admite-se que Maria gerou Jesus entre doze e treze anos, portanto mulher feita… e responsável.

Exemplo mais atual foi dado pela Inglaterra, há quinze ou vinte anos, quando duas “crianças”, uma de onze e outra de nove, agrediram e mataram  outra de seis, jogando o corpo à margem de uma estrada de ferro e, logicamente pois não estavam em país terceiro-mundista, foram identificadas, presas, julgadas e condenadas, pelo SIMPLES motivo de entenderem o que estavam  fazendo.

O conceito de entendimento do ato humano, na forma de uma escolha consciente envolvendo as suas consequências, parece-me fundamental para sustentar a proposta que aqui sustento: Maior é aquele que ENTENDE o que está escolhendo e fazendo.

Em Psiquiatria Forense, admite-se que o doente mental, que NÃO COMPREENDE A EXTENSÃO DE SEUS ATOS, é considerado inimputável, ou seja, não é responsabilizado perante a Lei por crimes cometidos, como ocorre com os que padecem de Retardo Mental, Demências ou surtos psicóticos vários.
Tenho a convicção que não é o número “mágico” dezoito, mas sim a     CONSCIÊNCIA, que deve pautar o conceito de MAIORIDADE.

Então, meu caro governador, cometeste um “ledo engano”!!!

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* Armando de Oliveira Neto

Médico Psiquiatra Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama

Tragédia na Boate Kiss, A Descontrução do Estado Continua – Armando de Oliveira Neto*

Assim que cheguei de volta a S. Paulo, no  fim de janeiro,  depois do incêndio na boate kiss, que já  causou a morte de 241,  pedi  para o psiquiatra amigo Armando texto a respeito de como as pessoas consomem com avidez notícias e detalhes de tragédias.  Pensava em uma explicação de o porquê isso acontece.  Armando, entretanto, me informou que abordaria outros aspectos do tema.  Fez o texto a seguir fora no interior, mas o pen drive em que salvara o arquivo apresentou defeito.  Só agora, conseguiu recuperar o arquivo   original.  Abaixo, as considerações dele, que jamais deixam de ser oportunas.

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Santa Maria e o Estado

A  tragédia ocorrida na boate Kiss, município de Santa Maria, certamente consternou toda a nação brasileira e o mundo.    No entanto gostaria de apresentar uma das possíveis leituras sobre o tema, tão documentado e falado pelos Brasis afora: a desconstrução do Estado brasileiro.

Em Medicina,  chamamos sintomas às manifestações dos mecanismos íntimos das doenças, a fisiopatologia: um germe, ao atingir determinado órgão, produzirá uma reação específica do organismo para combatê-lo (febre, dor, falta de ar, desmaio etc.) e a expressão física dessa luta entre microrganismo e o sistema de defesa são os sintomas.

O que ocorreu em Santa Maria é “uma crônica de uma tragédia anunciada”, ou seja, uma manifestação sintomática de uma fisiopatologia social em andamento, que se pode observar também espraiada por qualquer atividade em nosso mundo pequeno.  Exemplo: a rua  em que moro foi recentemente asfaltada. Pode-se notar que a cobertura é extremamente porosa e, próximos à esquina, dois buracos de cerca de trinta centímetros.

Onde está o sistema de controle de qualidade, de responsabilidade do Estado?

O gato comeu!!!

Mas o bichano é inocente: a controladoria está devida e “convenientemente” repousando, não em almofada de veludo escarlate, mas sim em algum saco de dinheiro, fruto de “acerto” entre empresariado e funcionários de tal repartição estatal, dentro da perversa lógica do “criar dificuldades (leis, regulamentos, normas, licitações, etc.) para se vender facilidades (o descarado suborno)”.
Essa praga mundial – amplamente divulgada por ONGs, como a Transparência Internacional – a corrupção está presente em todas as esferas de nossa sociedade, assim como sua irmã gêmea, a impunidade, mais notoriamente em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos.

Santa Maria foi a mais gritante expressão dessa prática hedionda , nos tempos atuais:

1. O empresário ganancioso que construiu o seu “pulgueiro/armadilha” dentro das mais requintadas e eficientes normas para o barateio da obra, com economia a qualquer custo.

2. As estruturas fiscalizadoras do Estado, os fiscais e suas cadeias de comando que fazem votos de silêncio administrativo, sob a tutela anestésica do vil metal.

Dessa forma,  entendo que o ocorrido naquela triste noite de horror é um sintoma desse mecanismo decorrente da relação corruptor-corrupto, o agente patogênico, e o povo, o doente final.

Não é de hoje, pois,  a máxima citada acima data do Brasil colônia e tenho certeza que continuará por gerações de brasileiros, como previu Mino Carta, no programa Roda Viva da TV Cultura, há uns vinte anos: o país terá jeito em 250 anos.

A ausência do Estado fiscalizador (Executivo) e a consequente impunidade (Legislativo e Judiciário) são o resultado de um casamento entre o empresariado, ganancioso, e o sistema fiscalizador, que corre à rédea solta e é expressão sintomática da DESCONSTRUÇÃO DO ESTADO.
Como marco simbólico desse movimento aponto, à semelhança do primeiro tear mecânico como data do início da era industrial, a reforma dos Ministérios da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, convenientemente transformado em Ministério da Defesa, sob o comando de um civil, como forma de silenciar um setor do Estado que poderia representar uma possível ameaça ao sistema de não fiscalização do Estado.

Há algumas décadas o Sr. Agnelli, no pátio da FIAT, em Milão, discursou para os operários denunciando aquele casamento e divorciando o empresariado do Estado e propôs uma nova aliança entre o empresariado e os trabalhadores, culminando com o programa do judiciário italiano denominado “Mãos Limpas”. Mas durou pouco, após o assassinato do juiz que encabeçava esse movimento.

No Brasil,  houve a tímida investida do Sr. Antônio Ermírio de Moraes, que nem chegou a decolar, após sua derrota nas urnas, e o povo tem o que vota, ou o que merece.

Voltando à Medicina, a morte também traz um somatório de sintomas que a anunciam, possibilitando aos médicos preverem sua chegada.

E quanto ao falecimento do Estado?  Quantos outros sintomas serão precisos para que haja o diagnóstico de morte do Estado?

Mensalão, dinheiro na cueca, enriquecimento ilícito de funcionários públicos, escândalo em cima de escândalos a perder as contas; e quantas mais Santas Marias serão necessárias?

Que Deus nos proteja, pois se depender do Estado…

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Muito sério o que Armando expôs.  Já havia tratado do tema também, mostrando como a tal da impunidade vai gerando, ou impedindo, que novas tragédias se repitam; e não só no Brasil, mas no Mundo.  Se quiser ler, clique

* Armando de Oliveira Neto
Médico Psiquiatra Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodram