1984

Inferno Implacável

Nos Monitores de TV dos vagões do Metrô, informações  e propaganda.  Têm sua utilidade.  Curioso é o Slogan:

“TV Minuto, Sua TV Fora de Casa”

Curioso, mas, infelizmente, reflete no que se transformaram o homem e a vida no século 21.

Ninguém consegue ficar, poucos minutos que sejam,  longe de um aparelho de TV.

Verdadeiro Inferno.

Ainda bem que é Sem Som a tal tv do metrô.  Sem Som por enquanto, porque tenho certeza que ainda vão chegar lá.

Talvez, não demore muito, sejam criados óculos em que em uma lente e meia projete a programação da TV Comum ou o que está “rolando no Face” e a área de meia lente reste desocupada  para o sujeito olhar o mundo.  Não que a ele interesse o que está à sua volta, mas apenas para que não seja atropelado ou caia dentro de bueiros sem tampa.

Pois bem,  se os desinfelizes querem se entuchar de tv por todos os poros, esses “óculos monitores” ao invés de se apoiarem sobre as orelhas, seriam acoplados a fones de ouvido.     Certamente é o sonho de toda a humanidade, exceto o meu e de algum outro maluco.

Nem em 1984, de George Orwell, se pensou que o mundo chegaria a esse ponto.

Espero apenas que enquanto a tecnologia não chegue a esse mundo perfeito para a imensíssima  população do Planeta, não sejam impostas TVs coletivas,  com som,  indistintamente em todos os lugares públicos e particulares.

Sinceramente, prefiro morrer antes… ou me trancar em casa para sempre!!!

 

 

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BBB 13 – Na Visão de Psiquiatra – Por Armando de Oliveira Neto*

Mais uma vez, o Boca e eu recorremos ao amigo, psiquiatra, Armando de Oliveira Neto, para tratar de assunto que exige especialista de sua área.  A saber:  Big Brother e audiência de Big Brother.

Armando já havia me mandado o texto.  Comentei algo por email e ele me mandou esse primeiro parágrafo para funcionar como abertura.

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O texto procura dar uma leitura de raio-X nessa questão,  pois entendo que ela é gravíssima,  ultrapassando qualquer leitura estética ou moral.
Não se trata de entender que o programa seja uma afronta à educação, aos bons modos, à moral ou uma aula de erotismo vulgar e de mau gosto.
É um silencioso solapar do que o ser humano pode ter de mais sagrado e intocável: o seu mundo privado.
Outras atividade assim chamadas de modernas, relacionadas à informatização, também cumprem esse papel de instrumento de poder de um Estado Global Econômico, abusador e repressor, no mínimo, para economia de palavras..  Ultrapassa as fronteiras do horário dedicado ao programa e estende-se para o futuro, deixando-nos, certamente, uma herança maldita.
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Caro Paulo, agradeço, mais uma vez, sua gentileza em disponibilizar o “Boca” para apresentar algumas reflexões, agora, referentes ao programa televisivo BBB 13.

O termo Big Brother deve ter sido originado a partir do romance de George Orwell, “1984”, guardando uma “pequena” grande diferença, se assim for, com o mesmo, demonstrando um profundo desconhecimento da literatura ou, na melhor das hipóteses, uma postura sarcástica… e de mau gosto.

Explicando-me: a essência do “1984” é a perda da privacidade do cidadão em nome de uma presença do Estado totalitário, representado pelo que seria o Presidente mundial, o Grande Irmão, e exercido pela vigilância diuturna de cada um.

Assim,  não haveria mais espaço para a intimidade, a privacidade e a solidão tão necessárias, pelo menos, para o indivíduo estar consigo mesmo.

Outros romances denunciaram esse tema, como “Admirável Mundo Novo”, “A Fuga de Ryan”, “Fahrenheit 453 com o mesmo questionamento: o direito inalienável à privacidade.

O programa BBB 13 entra em rota de colisão, em absurda contramão, com a proposta desses autores: a inexistência da privacidade.

Voyeurismo à parte, espero, possivelmente de forma ingênua, que o mínimo que um veículo de comunicação possa ter é um compromisso social/político/econômico para com a sociedade.

Desta forma o programa transforma-se, não em um meio de diversão, de entretenimento, mas sim em um instrumento do poder de Estado.
A diferença, em minha opinião, é que o Estado de hoje não é de natureza Política, mas sim Econômica: o Grande Irmão de hoje é o perverso sistema econômico/financeiro capitalista globalizado, matéria que poderá ser desenvolvida em outra oportunidade.

A banalização da sexualidade, do erotismo e do grotesco parece-me secundária, à semelhança do pane et circus, se confrontado com o “ensinamento” dado aos telespectadores: o esgarçamento dos valores individuais que se reportam à noção da diferenciação do que é meu e do que é do Estado.

É a contribuição do BBB 13 ao Brasil para a construção do nosso “1984”, aqui e agora.

Mas ele não está só, pois é acompanhado pelos Orkut, Facebook, telefones com GPS… da mesma forma e em nome de explicações e justificativas que considero ofensivas à minha mínima capacidade de pensar.
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Mesmo com explicação de psiquiatra, eu não consigo entender como prospera esse tipo de coisa.  Como tem tanta gente que desperdiça  tempo com esse nada absoluto.

Querendo ler mais esclarecedores artigos do Armando aqui no Boca, clique

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*Armando de Oliveira Neto
Médico Psiquiatra Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama

Afinal, São Câmeras de Segurança ou Câmeras de Fofocas????

Meus dedos querem escrever;  embora  na cabeça, nada.

Entretando, uma coisa  me chamou a atenção  há pouco.

Jornal Nacional mostrou Ronaldinho Gaúcho  saindo do  quarto dele  durante concentração do Flamengo (quando ele jogava na Gávea), dirigindo-se para o quarto de uma moça, onde, suponho, tenha se demorado o suficiente;  e voltando para o seu apartamento.   As imagens foram registradas por câmeras de segurança do Hotel.

Note bem, câmeras de segurança!!!

As imagens registradas por câmeras de segurança deveriam ser usadas única e exclusivamente para assuntos de segurança.  Se o jogador,  hóspede,  ou funcionário tivesse cometido qualquer  delito e alguma câmera registrado; aí sim essa imagem poderia se tornar pública.  Caso contrário, essas imagens deveriam ser protegidas e, a cada tantas horas, sistemática e automaticamente  deletadas/apagadas.

Do jeito que está, as câmeras deixam de ser de segurança e passam a ser  Câmeras de fofocas, de paparazzi 24 horas por dia, sete dias por semana.  Daqui a pouco,  revistas que tratam de celebridades vão se dar ao direito de instalar câmeras onde quiserem, invadindo a privacidade de todo mundo.   Sem contar,  o imenso campo que se abre para chantagens de todos os tipos.

Chega de Big Brother, não o programa merda da Globo (esse nem devia ter nascido) ; mas o Big Brother Dedo Duro  do Livro  1984  de George Orwell!!!  Basta!!!