Rolezinhos

Contra Rolezinhos, Mas Também Contra Vetos dos Shoppings

Saber que 82% dos paulistanos são contra rolezinhos, encontros de jovens da periferia em Shoppings Centers,  não surpreende.

Agora é  positivo que 73% dos habitantes da cidade achem que os shoppings não têm direito de vetar frequentadores.  Dados do Data Folha, na primeira página da Folha de S. Paulo de hoje.

Alunos da Economia da USP podem tudo em Shopping próximo à cidade Universitária; já manos e minas  da periferia….  Quiser ler, clique (artigo de psiquiatra amigo, referência aos garotos da Economia e ao pessoal da periferia, só no último parágrafo)

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O que me incomoda, como disse, não é a  origem da multidão, mas sim a multidão.  Quero  poder andar sem   esbarrar em quem quer que seja: garotos da periferia ou gostosas da Oscar Freire.

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Considerações sobre os Rolezinhos – Por Armando de Oliveira Neto**

Fazia tempo que o amigo Armando não proporcionava aos leitores do Boca suas ponderadas considerações.  Hoje ele aborda os Rolezinhos sob alguns aspectos.

A seguir:

Após a leitura da apresentação de suas observações no BOCA**, venho contribuir com algumas reflexões, dentro de outra visão do tema, que foca o político e o social.

Assim temos uma amostra da chamada “ditadura das minorias”.

Esse conceito está sendo divulgado recentemente, constituído pela descrição dos mecanismos pelos quais valores de minorias acabam sobrepondo aos de maiorias, como ocorre com os movimentos de “rolezinhos”, acobertadores de atos criminosos.

É um dos subprodutos da ideia do “politicamente correto”, o que paralisa nossas instituições policiais.

Assim, em seu questionamento, a aceitação do “rolezinhos” passa a ser norma e normatizada/legalizada pelas instituições, pelo ordenamento jurídico, tal como denunciado.

Um outro aspecto é a desconstrução do Estado.

Entendo que possa haver mudanças nas formulações legais, mas, pelo pouco conhecimento que tenho, em essência, a estrutura jurídica apresentada pelo Código de Hamurabi, poucas alterações podem ser observadas, em suas fundamentações, ao longo dos séculos.

Quando um indivíduo sabe que sua atuação, no caso o “rolezinho”, é uma situação marginal, consequentemente é sabedor das consequências de tal posicionamento.

Deixa-se de ser autor de sua escolha e torna-se “vítima”, em absurda inversão de papéis, ovacionado e exaltado pela mídia ignara e conivente, talvez passivamente..

Comparo com um criminoso que sabe do teor de suas atitudes e as penalidades, no caso a marginalidade social e legal do fazer “rolezinho”.

E aí chega um “novo ordenamento”: pode se tornar regra, “protegido” pela legislação, tal como proposto.

Qualquer semelhança com o que se observa no “país da impunidade” não é mera coincidência, mas sim resultado de uma orquestração muito bem elaborada nos últimos anos, com o objetivo de se instituir uma nova estrutura político-social e que tenho notado sistematicamente sua execução, sorrateira, ameaçadora e… assustadora pelas consequências funestas que trarão para nós e para as gerações que nos sucederão.

É assim que andamos rumo à desconstrução do Estado!!!

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Meu  comentário.  Se os rolezinhos não promoverem ações de vandalismos ou furtos, não há porque serem proibidos.  Folha de São Paulo de hoje traz reportagem mostrando que centenas de alunos de Economia na USP nesses útimos anos têm lotado o Shopping Eldorado para cantar, dançar e festejar. Segundo o Jornal, os jovens universitários não avisam quando farão esses rolês e nunca foram incomodados por seguranças do estabelecimento. Trecho da Folha de Hoje “Depois dos gritos – como Ei, GV (Fundação Getúlio Vargas, tida como rival da FEA), vai tomar no c…”, parte dos estudantes almoça na praça de alimentação, onde são entoados mais cânticos.  O encontro dura cerca de uma hora e meia” Quiser ler matéria da Folha, clique

* Link para o Texto  mencionado logo no início do artigo – clique

** Armando de Oliveira Neto

Médico Psiquiatra Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama

E os Rolezinhos das Elites Pelos Shoppings de Miami, Nova York e Paris???

Vou meter minha colher a respeito de  rolês e rolezinhos em Shoppings.

Detesto aglomeração, gente se espremendo. Outro dia, me descuidei um pouco do horário e cheguei  à estação Faria Lima do metrô no pico do rush.   Uma multidão tomava todos os espaços.   Imaginei como estariam os vagões.  Não tive dúvida, fui a pé até a estação da Consolação, onde havia muito menos gente e peguei o metrô.  Em tempo, no trajeto a pé pela Rebouças, minha velocidade era muito maior do que a dos carros.

Há vinte anos,  bar que servia  bom café ficava a uma quadra do meu escritório, na Antônio Bicudo com Teodoro Sampaio.  Íamos meu pai, amigo dele e eu lá  todos os dias.  Na primeira vez em que propus que fizéssemos um U caminhando uma quadra pela Pedroso, outra atrás do colégio Fernão Dias e ainda uns trinta metros pela própria Antônio Bicudo, meu pai e o amigo perguntaram se eu não gostava de povão.  Respondi.

– O que eu não gosto é de não poder caminhar sem esbarrar nos outros, seja na Teodoro ou em gostosas do shopping Iguatemi.  Quero andar.

Em tempo, também detesto Shopping Centers.

Bem, quanto a rolês e rolezinhos, algumas considerações.

Mil anos atrás,  alguém me disse que se quisesse enterrar um shopping, bastaria colocar uma multidão de gente mal encarada, mal vestida,  se possível mal cheirosas, apenas  passeando, sem cometer qualquer ilícito.   A notícia de que esse shopping havia virado  Point se espalharia e atrairia cada vez mais gente, dessa galera, como dizem os de vocabulário restrito, e aí a “desgraça” estaria feita.

Certamente foram escolhidos shoppings para rolês primeiro porque todo mundo, ao contrário de mim, adora essa praga.  Segundo, provavelmente, porque em ambiente fechado sempre se consegue CAUSAR (como se diz) MUITO MAIS.  Fosse eu,  escolheria a Oscar Freire, bem  mais aprazível.

Escrevi tudo isso e  não consegui dizer nem um décimo do que sintetizou  o deputado Jean Wyllys (mestre em Letras e Linguístia e Professor Universitário de Cultura Brasileira).  Perfeita a observação dele:

“Como a classe média brasileira se comportaria se as elites dos EUA e Europa fechassem suas fronteiras aos seus “rolezinhos” nos shoppings de Miami, NY e Paris?”

Para não ficar atrás do Deputado (sem qualquer outra conotação), lá vai frase minha bem antiga:

“Shopping Centers  me proporcionam imensa alegria – quando saio”.